Se o dicionário da Real Academia da Língua Espanhola define a palavra FEIRA como um “mercado com mais importância que o comum”, nós, membros da Coordenadoria de Feiras das Artes Cênicas do Estado Espanhol, gostariamos de recordar que também é um “mercado onde as pessoas encontram negócios e onde compram e vendem arte”.


Com a chegada da democracia aos municípios, e isso já aconteceu há mais de duas décadas, a maioria das cidades espanholas recuperou suas festas mais tradicionais e com elas os cenários naturais: utilizavam as ruas e praças públicas e muitos teatros foram reformados e reabertos. O ócio e a cultura passaram a ser um serviço, um bem comum, novos mercados se abriam, havia muita vontade democratizadora da cultura.

Esse ressurgimento provocou uma demanda maior de novos e variados produtos culturais. Diante desta demanda maior, a oferta foi incrementada; alguns tinham a necessidade de mostrar sua obra –hoje chamada de produto–, outros queriam uma nova informação, novas idéias –hoje chamados de programadores. Neste momento histórico, com mais intuição que experiência, nasce a primeira Feira de Teatro na Espanha: era o ano de 1981.

A partir deste momento vão surgindo em todo o Estado espanhol, seja por necessidade ou mimetismo, outras “feiras”, fóruns de encontro, discussão e intercâmbio; espaços vivos onde as ilusões, os sonhos e as paixões se manifestam, mercados que comercializam com o efêmero, que buscam, e acreditamos que conseguiram, criar, influenciar e estabelecer-se entre as indústrias das artes cênicas.

Após essa primeira etapa que, como dissemos, era puramente intuitiva, hoje durante todo o ano, nós, profissionais do setor, já podemos nos encontrar com regularidade em 14 feiras para dialogar, debater, refletir e, sobretudo, conhecer as novas produções. E uma coisa é certa: cada vez é maior o número de profissionais que se servem das diferentes feiras para comprar ou vender os novos produtos, podendo assim conhecer em primeira mão, a rica e variada oferta de criações artísticas.

Cada uma destas feiras tem sua marca e sua singularidade. Podemos encontrar feiras especializadas junto a outras mais genéricas; feiras que trabalham diferentes espaços ou formatos; outras que enfocam os espetáculos a um determinado setor profissional; umas mais internacionais, outras com uma programação mais regional... Mas todas com um objetivo comum, intrínseco: conectar-se com os profissionais, facilitando assim o intercâmbio comercial.

A partir da singularidade histórica destas iniciativas no panorama internacional, após alguns anos de sondagem e estudo da necessidade de coordenação e as possibilidades de trocar experiências, as feiras da Espanha, com o apoio e o respaldo do INAEM (Ministério da Cultura), associam-se na Coordenadoria das Feiras das Artes Cênicas.
 

Com a colaboração de:
 


 
 

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